quinta-feira, 2 de junho de 2011
E os poetas, prestam?
sexta-feira, 27 de maio de 2011
V Quase Concreto
IV Quase Concreto
Gostar de comer jiló e cebola,
gostar de falar complicado,
gostar de ficar parado,
etc.
Já reparou como velho gosta de tudo?
Velho gosta de conversar fiado
Velho gosta de jogar baralho,
Velho gosta de receber visita,
etc.
É que crescer é se acostumar com a vida,
e velho já está acostumado.
III Quase Concreto
Clusters
Seria bem mais elegante ter uma alta e esguia.
Uma memória de girafa eu queria.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
A HONRA AMARRADA
é um canalha
que teu roto agasalho
atrapalha
ele, o caralho, sem dó,
como um cão na cachorra,
cheio de porra ,
dá um nó !
tua honra amarrada
âncora de preconceitos...
... vai ao fundo
do oceano dos leitos
e agora todo mundo
chupa os teus peitos
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Dois poemas do meu amigo Carvalho
domingo, 19 de dezembro de 2010
Rio revisitado
domingo, 21 de novembro de 2010
O homem do mar
É com grande pesar que recebo a notícia de que o amigo e escritor Moacir C. Lopes faleceu hoje, pela manhã, no Rio de Janeiro. Há quase dez anos eu o via pela primeira vez, numa palestra sobre seu romance A ostra e o vento, ocorrida num Encontro de Escritores em Viçosa-MG. Depois disso mandei-lhe e-mails, pesquisei a sua obra, e teve início uma grande amizade. Tive a oportunidade de estar com ele outras vezes em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Soube de seu falecimento pelo amigo Manoel Carlos. Moacir Lopes parte deixando uma obra ímpar e saudades sem fim.
Certa vez escrevi um poema, "O homem do mar", que dediquei ao amigo Moacir C. Lopes:
A Moacir C. Lopes
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Metástase
Amigos,
Também estou com o livro do Ptolomeu Carus em mãos. Tive a sorte de o livro ficar pronto justamente na época em que me encontrava em Caratinga. Depois disso já andei por São Paulo, onde andei divulgando a obra do amigo Cássio.
http://rapidshare.com/files/425678720/literatura-alternativa01de03.zip
2ª parte:
http://rapidshare.com/files/425689659/literatura-alternativa02de03.zip
3ª parte:
Abraços,
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Lançamento em Caratinga-MG - 08/10/2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Marcos Teixeira
A infância não está no calendário
não está no álbum, no porta-retratos
a infância se descoloriu de todo
transfigurada, esmaeceu inteira
ficou reclusa embaixo do chapéu
alimentando o sonho e a saudade.
A infância também ficou segredada
no interior de Minas, num lugar
entre montanhas, à beira do rio.
Uma parte ficou em Caratinga
outra em Lavras, correndo pelas ruas,
descobrindo um amor numa janela.
Mas então a infância está no mapa?
Mas o que fazer se o mapa só leva
ao peito do homem de barba e chapéu?
O homem apoia a cabeça entre as mãos
a infância também lhe escorre por dentro.
O poema "Infância" foi publicado na página 07 do número 07 (nova série) da revista Jararaca Alegre, que é editada pelo amigo Camilo e distribuída em Minas Gerais. A revista foi lançada no Festival Cultural de Caratinga em julho de 2010. Quem tiver interesse em conhecer a JA, visite o blog do Camilo: http://jararacalegre.blogspot.com/
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Artigo no Suplemento Literário de MG
Amigos,Acaba de sair um pequeno artigo que escrevi sobre o diário de Maria Carolina (Do leito ao jardim) no Suplemento Literário. A ideia do artigo é divulgar uma obra rara, de difícil acesso, que tive a sorte de encontrar num sebo de Belo Horizonte. Desconheço um acervo que a possua. Maria Carolina era irmã de Aníbal Machado e de Lúcia Machado de Almeida, prima de Murilo Mendes, integra assim uma série de escritores que pertencem a uma mesma família.
Neste mesmo exemplar do Suplemento Literário foi publicado o poema "Carta de Alfor(ria)", do conterrâneo Maxs Portes. O Suplemento Literário se encontra disponível em pdf no site da Secretaria de Cultura do Estado de MG. Para baixar o suplemento, entre no site do governo ou clique aqui.
Abraços a todos,
Marcos Teixeira.
www.marcosteixeira.hd1.com.br
domingo, 2 de maio de 2010
O professor e seus amigos de bar
de travestis
a árvore está cheia
de bem-te-vis
o bar está cheio
de manequins
e o brinde está cheio
de tim-tins
a poeira está cheia
de atchins
e as putas estão cheias
de sins
a praça está cheia
de gente feliz
e a água está por meia
no chafariz
e a mesa está cheia
de uma meretriz
a conta está cheia
de dedos e um nariz
o garçom está cheio
de lápis
e a música cheia
de refrãos
e o papo está cheio
de nãos
o mundo está cheio
do que não fiz
e no ar um cheiro
de giz
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Eu canto a América Histérica
a vergonha da pretensão metafísica
de republicanos e democratas,
a reação de uma presidência histérica,
a vingança a caminhar por trilhas acrobatas,
eu canto a América Neurótica,
que estende suas mãos de políticos-primatas
à latinidade ibérica,
eu canto a América Ética,
a América Gorda,
a América Diabética,
a ridícula América que de bruxa
desajeitada tem verdadeiro encanto,
com o qual,
para global espanto,
invade e destrói um país inteiro
com o pretexto de chegar primeiro
às portas da Ignomínia,
convertendo toda esquina,
rua e terreno em bueiro,
confundindo entradas e saídas,
usando como tijolos as próprias vidas
na construção de um quartel, um prédio inteiro,
que servirá à democracia de puteiro.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Ode Psicografada
A cidade adormecida
Regurgita seus sonhos
Em travesseiros inquietos.
Mãos e mentes encastelaram muitos corações
Emparedando vivos desejos e suspiros
Em corpos domesticados
Pela força da cruz e o tilintar das moedas.
Mesmo o frenesi cotidiano
Da luta pela existência
Segue o ritmo de uma melodia
Assustadoramente
Límpida, harmônica e repetitiva.
Dias e noites constituem o tempo
Como nuvens que escondem o sol
Mas não se precipitam em tempestades.
A cidade adormecida parece apenas
Alentar mais sono
Soniferamente
Mais e mais sono.
O que é possível esperar
Dos adormecidos?
Por que nunca elevam seus sonhos
Para os estados de vigília?
Em vigília apenas adormecimento,
Atávico adormecimento.
O que posso além de vomitar e instilar
Todo o meu veneno, revolta e insatisfação
Neste secreto pedaço de papel?
O que além de contemplar
O suor entre meus dedos mal iluminados
Por mais uma noite áspera e indeglutível?
Quantos loucos e inconformados deverão
Formar fileira lado a lado
E sacrificar-se
Junto a viciados, pederastas, putas, pequenos delinquentes e dementes
Para poder afrontar o curso naturalizado
Das coisas?
Caratinga, amaldiçoada por seus malditos
Sem pernas e braços,
Incapacitados, acorrentados e impotentes
Para subverter algo a mais que a si próprios!
Caratinga, cidade dos exilados
Daqueles que se exilam dentro ou fora de ti,
Dentro ou fora de si.
Por que insiste em prantear e rir
O pranto e o riso carpidário e televisivo?
Caratinga, soterrada entre montanhas
Caratinga, inundada pelas águas do rio
Caratinga, protegida pela sombra das palmeiras
Caratinga, pequeno e singelo ponto no mapa
Elísio demoníaco e celestial
Que se mantem demoníaca e celestialmente.
Suas orações e blasfêmias
Se igualam
Em um mesmo composto,
Uma mesma mecânica moral.
Caratinga que me gerou
E me quis um dos seus
Por que tanto reluta
Em contemplar-se no espelho e enxergar
Para além das roupas e sapatos?
É tão constrangedor e brutal assim
Encarar a sua própria nudez?
Pois a nudez alheia sei que aprecia,
E como aprecia...
Em seus escritórios, praças e bares
Fala e evoca imagens dos outros que estão nus
De seus inimigos e aliados que querem desnudar
De seus meninos e meninas, homens e mulheres
Que ambiciona descascar
Como uma fruta impassível ao alcance
De uma
Apenas uma das mãos
A outra,
Deve manter no bolso
Ou pendente ao corpo
Como demonstração visível de como finge
Ser limpa, correta, pura e sincera.
Caratinga, não pode enganar-se por muito tempo
Nem o tempo todo.
Seus espectros insones sempre lhe perseguirão
Aqui ou do além túmulo
Seus vivos e mortos insaciáveis
Pairam sobre o seu coração reservado e autocontido.
O efeito corrosivo de seus filhos mal paridos e renegados
A ação do tempo do mundo sobre ti
É inexorável
Com ou sem profetas de ação e profecias de fogo
E não há sinos nem catedrais
Nem bispos ou prefeitos
Capazes de sustentar sua atonia
Indefinidamente.
No interior daquilo que há
De mais podre em ti
Os elementos dinâmicos da vida
Também se agitam
Ainda que comprimidos e invisíveis.
Seus mais sólidos alicerces
Estão assentados em terreno pantanoso
E o pântano vai lhe engolir, Caratinga.
Querendo ou não, você afundará
Na lama que acredita ser rocha sólida.
Sua curiosa fortuna
É que o pântano também é vida
Respira, transpira e reproduz
Vida
Seus gases pútrefos nutrem e vivificam
Matéria orgânica e inorgânica.
Por isto não terá
o destino submarino de Atlântida.
E será impelida a se refazer
Recriando-se com as ruínas
Daqueles que agora te arruínam.
Caratinga, cidade-pântano
Não cidade-cemitério
Caratinga, cidade-borrão
Não cidade-apagada
Meu sorriso tímido de lagarto
É incapaz de expressar a estranha sensação de ter
Na boca e nos olhos
O amargo e vívido vestígio
De seu prateado amanhecer.
Cassio Brancaleone
(Caratinga, madrugada de 30/12/2007)
Deformática
Deu um problema no meu computado
Deu um problema no meu computad
Deu um problema no meu computa
Deu um problema no meu computa
Deu um problema no meu coputa
Deu um problema no meu cputa
Deu um problema no meu puta
Deu um problema no meu cput
Deu um problema no meu cpu
Deu um problema no meu cp
Deu um problema no meu pc
Deu um problema no meu c
Deu um problema no meu p
terça-feira, 16 de março de 2010
ARITA
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
POETA DE ALUVIÃO
POETA DE ALUVIÃO
Nasci naturalmente poeta
daí então, na hora certa, deixei-me levar pela mão
Levado demais
fui formalista, menino de mil tradições
Nasci com muitas missões, naturalmente poeta
mas para agradar companheiros
(russos, franceses, ingleses de ocasião)
fui analista, fui esteta
artificialmente cresci
Ademais, aprendi e desaprendi o cansaço das línguas
desumanizei o meu verso
perdi todas as sementes das flores do mal
e o que era pra ser, afinal, não foi
virei uma espécie de sapo-boi alumbrado
Falei difícil, hermeticamente fechado
Falei a linguagem linguagem
ponte e fachada para o nada, lugar nenhum
Hoje eu sou mais um que se despedaça
Minha poética fina, sem substância de massa
não tem como dar às bocas carentes de poesia
o grosso sustento diário de dor e de alegoria
que fazem do homem humano, comedor de feijão,
o inicio e o fim do poema
Levado demais, fui além, deixado levar pela mão
(meus pés já não tocam o fundo do rio)
Poeta para poetas, poeta de aluvião


