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domingo, 5 de junho de 2011

E os poetas, prestam?

(republicando textos que foram originalmente postados no meu blog semi abandonado www.carambolismos.blogspot.com)

Ainda quanto à liberdade
10 de maio de 2010.

mas por outro lado, a liberdade também é um problema sério. porque, enquanto me arrebenta o peito, nada do que produzo presta. quero dizer que nada do que eu faço me agrada quando fico assim, livre.  e, ao mesmo tempo, foi quando aconteceu de eu ter liberdade, numa época  em que a solidão era tanta que até meus pensamentos se despovoaram, que eu implodi. porque todo mundo, e isto me inclui, é comum. e eu acho que é do saber geral que quanto menos gente a gente tem na gente, mais a gente corre o risco de se fixar num só que não suporta a barra e foge. apesar do quê, fugir é coisa de vilão. mas quem transforma deliberadamente o outro em vilão é o quê? entendeu? é isso que eu acho. acho também que deve ser verdade que quanto menos atividade se exerce fora do peito, mais o peito se aperta pra dentro de si, numa implosão que faz buraco negro e vira o mau do mundo: salve salve egoísmo! então, olhando por este ângulo, os poetas não prestam e o fundo dessa página é bege. isto porque pra mim não existe 'sem querer'. existe é no máximo  'sem querer eu quis'.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

E os poetas, prestam?

(republicando textos que foram originalmente postados no meu blog semi abandonado www.carambolismos.blogspot.com)

Quanto à Liberdade
24 de março de 2010.

eu tinha medo de me dizer artista e era pra não cair na vala comum que é se acreditar demais ou , pior,  condenar-se a uma santidade pós-moderna que inversamente acredita-se de menos, e tem como objetivo  o idêntico simular de uma espécie de nirvana que é paradoxalmente materialista. mas acontece que de alguma forma eu também percebia que não se acreditar era estranhamente comum aos homens que se  autovalorizam santos e que são falsos. então, parecia que era como se não ser comum, sem questionar o fato, ganhasse status superior e o artista passasse a ser divino por não ser comum, sendo, portanto, pela característica incomum, um condenado à mesma santidade pós-moderna que por si só já é falsa. mas aí eu estava pensando, por estes dias, que preciso ver a vida mais colorida e foi quando eu ouvi uma menina dizer que ainda bem que ela era artista. e, acontecendo que o desenho dela nem era tão bom, eu tive um clic que foi alguma coisa daquelas que antes eu não tinha porque era criança e aquele clic não vinha. mas, então, ele veio e eu entendi que estava lá  na fala daquela menina a resolução de uma questão que eu ainda não tinha resolvida pra mim.  e a resolução me dizia que, na verdade, ser artista ainda era  estar feliz com o poder olhar o quadro molhado, recém lambrecado de tinta, ou o desenho no papel de caderno, e dizer para si  e para os outros: ainda bem que eu sou artista. afinal de contas, no fim do dia, os não artistas voltam pra casa, para  as suas poltronas e para as suas novelas, e para os noticiários ou cursos on-lines, e tudo o que sabem fazer, ou nem sabem, é pensar que amanhã precisam estar descansados para o trabalho. e, no caso do artista, mesmo que ninguém goste do desenho (também servem músicas, bordados, escritos e afins), mesmo que ninguém  mais saiba que aquilo é arte , mesmo que a obra não seja muito boa, mesmo que não se ganhe dinheiro  ou reconhecimento  e as dívidas se amontoem no topo da geladeira, ao invés de voltar pra casa para simplesmente repor as forças  necessárias a um trabalho alienado, o artista vai desenhar , cantar, tocar, bordar ou escrever  qualquer coisa que talvez não seja linda, mas que é sua. e isto tudo é só para, depois de fazer, olhar com satisfação para a coisa e dizer : ainda bem que eu sou artista. e sendo assim,  da condição de  o condenado da história, o artista passa a dono de sua mais-valia ; e ao invés de mero sujeito de uma auto-valoração ridícula,  o artista é livre.