http://duduluizsouza.blogspot.com.br/2012/03/eu-me-ragulhei-nesse-amar-para-me.html
Eu me-r(a)gulhei nesse (a)mar
para me apaixonar
gostar ou te amar
e nessa onda de vai e vem
de ir e v(ir)
para ali ou além mar
e nesse mergulho profuuundooo...
voltaaar a (super)fície re(alidade)
para respiraa(ar) e nooouus (des)a(r)mar, mon amouu(uu)rrr..
sexta-feira, 23 de março de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Mais uma canção do grande Manoel Boca
Mais uma canção do amigo Manoel Boca. Desta vez com dois poemas do meu livro: "O homem do mar" (dedicado ao escritor Moacir C. Lopes) e "Poesia confessional".
Cliquem aí para ouvi-la.
Cliquem aí para ouvi-la.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Cantiga do moribundo na voz de Manoel Boca
Aí está a música que o compositor e amigo Manoel Boca fez com o meu poema "Cantiga do moribundo", que, por sua vez, pode ser encontrado no meu Os deuses comem pão e outros poemas (2010). Se não conseguirem ouvir a música aqui pelo blog, cliquem aqui.
O Manoel Boca é cantor e compositor lá de Caratinga-MG e tem tocado junto com outra amiga, a Analigia Reis. Também tem trabalhado junto com a cantora lírica Vânia Melo e certamente tem feito muito mais coisas que eu preciso ainda descobrir. Para ouvir outras músicas suas, entrem no seguinte site: http://soundcloud.com/manoel-boca
Publico aqui o poema na versão do livro. Obrigado Manoel!
Liguem as caixas de som aí e boa apreciação a todos.
Cantiga do moribundo
Vejo um rato no meu quarto
meu olhar repara tudo.
Ele corre pelos cantos
pelos tacos, rodapés.
Tem um rato no meu quarto
que parece não me ver...
me levanto então da cama
deixo a porta entreaberta.
No meu quarto tem um rato,
muitos livros e papeis
manuscritos e jornais
me vigiam das estantes.
Já deitado vejo o rato
que me busca em seu olhar,
nele encontro uma tristeza
que vem dele e vem de mim.
Quando enfim a luz apago
deixo o rato em paz no escuro.
— Boa noite meu pequeno.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Caratinga de braços abertos
Caratinga completou 163 anos com muita festa e uma programação cultural muito interessante. Minha esposa e eu estivemos presentes. Convidamos um grande amigo meu chamado Ednaldo Moreira, que atualmente vive em Campinas, onde faz doutorado em Teoria e História Literária. Ednaldo é natural de Rio Casca. Fomos colegas na graduação, quando moramos em Mariana, e depois estudamos em Belo Horizonte. Apesar de ter nascido tão perto de Caratinga, não conhecia ainda a cidade das palmeiras e da Pedra Itaúna. Bastou o convite, um pouco de propaganda e ele compareceu.
Logo no primeiro dia, estivemos no lançamento de livro do Camilo, apesar de chegarmos no final, por causa do atraso na viagem. Foi o momento de conhecer uma das coisas mais bacanas da cidade, que é a Casa Ziraldo de Cultura, e conferir a exposição Poesia e cartum: duas visões de Drummond. Conversamos com o amigo Camilo, que fez as dedicatórias e deu boas-vindas ao Ednaldo. Depois disso tivemos a oportunidade de tomar uma cerveja gelada ouvindo os músicos Manoel Boca e a Analigia Reis. Meu amigo conheceu todo mundo. A jornalista Fabiane Arêdes listou todos os lugares que ele precisava conhecer na cidade e definiu muito bem o caratinguense como um povo hospitaleiro e talentoso. Devemos ao amigo Hermam Mendes a boa conversa sobre música popular e a situação do compositor na cidade e no Brasil.
No dia seguinte, o primeiro dia de festa, o Ednaldo conheceu o pão de queijo da dona Odila, minha mãe. Era feriado. Estivemos em alguns pontos turísticos da cidade. Meu amigo viu o monumento do menino maluquinho, a construção do santuário e o tapete decorativo que fazem nessa época do ano. Tudo isso muito rápido, pois era preciso subir no alto da Pedra Itaúna, o cartão postal mais importante da cidade. Parapentes deslizavam no céu. O acesso, que merece ser alargado, não está tão mal, mas precisa de cuidados, pois há buracos e mato. No alto da pedra avistamos a cidade pequenina lá embaixo. É de fato muito bonito. Considerei que aquelas antenas poderiam ser afastadas e no lugar poderíamos ter um restaurante ou algo do tipo. Seria muito bom fazer uma refeição vendo aquela vista maravilhosa. De volta, fomos para a praça ver as apresentações musicais no coreto do Oscar Niemeyer, comer e beber. Confesso que não entendi aquelas gravuras religiosas no palco. De qualquer forma, embaixo delas havia boa música. Considerei que o som poderia estar mais baixo, mesmo quando se toca rock. Mas esses detalhes não diminuíram a importância e a beleza da festa. A cidade, aliás, estava lotada. Foi o dia em que tocaram Renata Cordeiro e Ronise Ramos, dentre outros.
No dia de aniversário da cidade, estivemos no sítio de meu pai pela manhã, passando por Piedade de Caratinga. A estrada estava boa. No percurso, meu amigo conheceu a região da avenida Dário Grossi, avistou os prédios da Unec, dentre outras coisas. À tarde estivemos mais uma vez na praça Cesário Alvim. Não queríamos perder o show do Thiago Delegado, cujo trabalho acompanho desde a época em que tocava com o músico Ausier, no Pedacinhos do Céu, em Belo Horizonte. O Thiago Delegado e os demais músicos nos presentearam com um show muito bonito e emocionante. No meio da plateia avistei muita gente conhecida: Nelson Sena, Fernanda Cordeiro, Camilo, Paulinho Paul, Raul Miranda, Edra, dentre outros. Nesta noite pude apresentar ao Ednaldo o meu grande amigo Fernando Campos, que esteve conosco durante o show do Thiago Delegado.
No dia 25 lá estávamos de novo na praça, conferindo os shows. Ficou faltando apresentar ao meu amigo muitas pessoas interessantes da cidade, como o Carlos Araújo e o escritor Maxs Portes. Mas haverá tempo para ele conhecer todo mundo e também a arte produzida pelo caratinguense. No dia 26 nos despedimos do Ednaldo, que seguiu para Rio Casca, sua terra natal. A rodoviária de Caratinga é boa, mas precisa de atenção e melhorias. Tenho certeza que agora Caratinga segue junto com meu amigo e, com ele, rodará todo o Brasil. Adriana e eu ficamos um pouco mais para matar a saudade da terra, da família e dos amigos.
Fonte:
TEIXEIRA, Marcos. Caratinga de braços abertos. In: Diário de Caratinga. n. 4734. 30 jun. 2011, p. 07.
domingo, 5 de junho de 2011
Fernando Campos, poeta de sete faces
Foi em Caratinga. Não sei dizer exatamente quando tudo se deu. Sei que foi antes de aparecerem as máquinas digitais e os aparelhos celulares, que um dia, quando andava interessado por fotografias, acabei conhecendo o poeta Fernando Campos, em visita que fiz à sua casa. Quem nos apresentou foi o artista plástico Geraldo Lomeu, que conheci por meio de meu irmão mais velho. Nessa época, o pintor andava com uma máquina profissional e registrava detalhes da cidade das palmeiras. Lembro-me bem de uma pintura inacabada do Lomeu que representava o ventre de uma mulher abrigando uma espécie de jovem de pé grande. Tempos depois ele alterou o desenho e terminou a pintura.
Fomos recebidos pelo Fernando Campos que, em Caratinga, consegue a façanha de ser artista plástico, fotógrafo, poeta, professor e, nas conversas descontraídas, também é um excelente crítico de arte. Posso dizer então que o conheci primeiro como fotógrafo. Ele nos deixou e foi buscar uma caixa de onde surgiram inúmeras fotografias. Foi nos explicando a técnica, os procedimentos utilizados, a perspectiva adotada, a luz empregada, essas coisas. Tempos depois veria uma de suas fotografias, tirada na Gruta de Maquiné, ilustrando a capa de uma das poucas edições da extinta revista Fissura Crônica.
Depois do fotógrafo, conheci o Fernando Campos artista plástico. Em sua casa podemos encontrar sua produção. Um destaque para o busto de Vera, sua esposa, que talvez eu tenha conhecido primeiro pela escultura. Hoje sei que é uma pessoa maravilhosa. Há lá obras em formato de pé, de mão, dentre outras, que são melhor entendidas com a explicação, sempre erudita, de quem as fez. Nas paredes encontramos também obras de outros artistas. Telas de Paulo Vieira e Sinval. Uma pintura de Paulo Vieira tinha um osso transpassado, já em outra encontramos a Pedra Itaúna.
Enfim o conheci como escritor. Talvez o Fissura Crônica tenha tido uma importância neste sentido. Foi por essa época que conheci o Carlos Araújo e a Mírian Freitas, que me foi apresentada pelo Fernando. Nas diversas visitas que fiz ao poeta, pude ler e conversar sobre sua poesia. Também me aventurei a lhe mostrar meus primeiros poemas e recebi verdadeiras palestras que iam da métrica às imagens plásticas. Ao mesmo tempo me informava acerca dos demais artistas caratinguenses. Também foi por esta época que fundamos um jornalzinho chamado Literatura Alternativa, que possui colaboração desse artista de sete faces.
Residindo fora da cidade desde 1999, acompanho de longe o trabalho dos amigos. Quando não posso visitar a terra natal, é por meio da internet e de publicações como a Revista Itaúna que recebo notícias de todos. Mas já que revelei que o Fernando é um grande poeta, um dos melhores que conheço, vejamos um de seus textos publicado nesta revista, em seu número doze, sobre o qual arriscarei um comentário:
Túrgido litúrgico
Não espero senão o momento
em que passe este asco
(em que pese o nojo)
e esta espécie de misoginia.
Um corpo descendo à terra
sob as pás do silêncio,
mais vale pra que eu padeça
as dores todas do mundo.
Vi como eram belos
os olhos tristes da menina,
vi quando suas mãos mergulharam na terra,
em busca de uma paz ressuscitada.
E antes de descer as escadas,
o pai ainda disse à filha,
à guisa de resposta alguma:
‘A alma, minha pequena,
é você pensando nela’.
Salvo engano, é claro o enigma.
Podemos dizer que o poema trata de uma cena de morte. O eu poético relata suas impressões diante do enterro, possivelmente, de um ente querido. O poema permite duas leituras. Numa primeira, a menina permanece viva e assistiu ao enterro de alguém que lhe é importante. Talvez o da própria mãe. Não temos a pergunta da criança, mas é fácil deduzir que se trata do conceito de alma. Numa segunda leitura, temos o enterro da própria menina e, em seguida, uma rememoração do eu poético acerca das coisas do passado: a lembrança dos olhos tristes, a recordação da pergunta sobre a alma feita ao pai.
Nas duas leituras, o asco comum a uma cena de velório se confunde com uma espécie de misoginia, ou seja, a uma aversão à mulher ou ao contato sexual com a mesma. Neste ponto a primeira leitura se fortalece, pois se poderia pensar na figura de uma esposa. O eu poético, diante da própria mulher, estaria desprovido de desejo e acometido pelo asco. Diante da cena propriamente dita do enterro, vista pela metáfora das pás de silêncio, o eu poético sente o tormento e deseja, também ele, o silêncio ou, melhor dizendo, a tranquilidade que talvez o tempo trará. O eu poético então se dirige para a filha que está triste, que avançou sobre a cova num gesto desesperado de restituir o ente querido, e que, pouco depois, pergunta sobre a alma. Uma pergunta de fato metafísica, como: “— O que é a alma?”. O texto, neste momento, se descola do sujeito para mostrar, e revelar ao leitor, que entre a menina e o sujeito atormentado existe uma relação de pai e filha. A cena não impede que ele tente responder a esta e o faça de maneira desprovida de misticismo.
Numa segunda e mais audaciosa leitura, podemos pensar que quem morreu é a menina e, após o seu enterro, temos uma rememoração do passado, pela perspectiva do sujeito que foi ao enterro, que neste caso não é o pai. O texto então se torna um embate entre juventude e morte e o falecimento prematuro nos lembra o famoso verso do poema “Pneumotórax” de Manuel Bandeira: “A vida inteira que podia ter sido e que não foi”.
É preciso observar que os elementos do poema pertencem a um tempo presente: “...o momento / em que passe este asco”; “um corpo descendo à terra”. A partir deste momento, a cena de um enterro, é que o passado ressurge ao eu poético, que solicita, também ele, pelas pás de silêncio, pelo esquecimento futuro. Nesta segunda leitura, a ideia de misoginia perde força em relação à primeira, pois neste caso se trata de uma menina morta. Ao contrário, é certo nojo sufocante que caracteriza o sentimento. Em seguida se dá a cena do enterro. O corpo desce à terra sob pás de silêncio. Para quem está morto a terra que cai não faz barulho. A menina morta recebe o silêncio, já o eu poético, espectador da cena, padece as dores todas do mundo. Silêncio para quem vai, tormento para quem fica. Ainda assim é possível reconhecer ou relembrar a beleza de seus olhos tristes. Os opostos se aproximam no poema: vida versus morte, juventude versus decadência, beleza dos olhos tristes de menina versus o asco despertado pela cena.
Por fim, um momento anterior é rememorado. O cotidiano da menina que desperta para a vida em meio a reflexões metafísicas, quando, por exemplo, nos perguntamos se a alma existe. Antes de descer as escadas, o que sugere diversas coisas, dentre elas o declínio da vida, a proximidade do fim, etc, é que ouve de seu pai que a alma é “você pensando nela”. A alma, sempre pregada por aqueles que nos rodeiam como algo místico e divino, existe por uma racionalidade: “é você pensando nela”. O verso assim dá margem a um questionamento cético. Nesse sentido, é claro o enigma. É racional, pois demanda reflexão, ainda que seja obscuro.
Essa lembrança, à beira da cova, revela mais um vazio do que qualquer crença na eternidade mesmo permitindo a existência de um enigma. O título do poema que apresenta uma rima interna, toante, traz em si o universo místico, no caso, o religioso. Mas esse universo litúrgico é túrgido, o que permite dizer perfeito na forma, por um lado, mas disforme de outro, pois túrgido também significa dilatado, inflado, intumescido. Assim, ainda que lembre Bandeira, é em relação a Drummond que Fernando Campos realiza um forte diálogo neste poema. O último verso remete ao livro Claro enigma, publicado em 1951, trazendo por meio da intertextualidade a relação entre o que é claro, mas ao mesmo tempo enigmático.
Além dos nossos poetas maiores, o Fernando também me fez lembrar da Henriqueta Lisboa, do livro Flor da Morte publicado em 1949, e em alguma medida dos poetas simbolistas. Mas isso é apenas o que o poema “Túrgido litúrgico” me despertou. Certa vez ele me disse que possui um livro, engavetado, aguardando uma publicação, que pretende distribuir a obra entre os amigos, fazendo uma tiragem pequena. Vamos aguardar o livro deste grande poeta.
E os poetas, prestam?
(republicando textos que foram originalmente postados no meu blog semi abandonado www.carambolismos.blogspot.com)
Ainda quanto à liberdade
10 de maio de 2010.mas por outro lado, a liberdade também é um problema sério. porque, enquanto me arrebenta o peito, nada do que produzo presta. quero dizer que nada do que eu faço me agrada quando fico assim, livre. e, ao mesmo tempo, foi quando aconteceu de eu ter liberdade, numa época em que a solidão era tanta que até meus pensamentos se despovoaram, que eu implodi. porque todo mundo, e isto me inclui, é comum. e eu acho que é do saber geral que quanto menos gente a gente tem na gente, mais a gente corre o risco de se fixar num só que não suporta a barra e foge. apesar do quê, fugir é coisa de vilão. mas quem transforma deliberadamente o outro em vilão é o quê? entendeu? é isso que eu acho. acho também que deve ser verdade que quanto menos atividade se exerce fora do peito, mais o peito se aperta pra dentro de si, numa implosão que faz buraco negro e vira o mau do mundo: salve salve egoísmo! então, olhando por este ângulo, os poetas não prestam e o fundo dessa página é bege. isto porque pra mim não existe 'sem querer'. existe é no máximo 'sem querer eu quis'.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
E os poetas, prestam?
(republicando textos que foram originalmente postados no meu blog semi abandonado www.carambolismos.blogspot.com)
Quanto à Liberdade
24 de março de 2010.eu tinha medo de me dizer artista e era pra não cair na vala comum que é se acreditar demais ou , pior, condenar-se a uma santidade pós-moderna que inversamente acredita-se de menos, e tem como objetivo o idêntico simular de uma espécie de nirvana que é paradoxalmente materialista. mas acontece que de alguma forma eu também percebia que não se acreditar era estranhamente comum aos homens que se autovalorizam santos e que são falsos. então, parecia que era como se não ser comum, sem questionar o fato, ganhasse status superior e o artista passasse a ser divino por não ser comum, sendo, portanto, pela característica incomum, um condenado à mesma santidade pós-moderna que por si só já é falsa. mas aí eu estava pensando, por estes dias, que preciso ver a vida mais colorida e foi quando eu ouvi uma menina dizer que ainda bem que ela era artista. e, acontecendo que o desenho dela nem era tão bom, eu tive um clic que foi alguma coisa daquelas que antes eu não tinha porque era criança e aquele clic não vinha. mas, então, ele veio e eu entendi que estava lá na fala daquela menina a resolução de uma questão que eu ainda não tinha resolvida pra mim. e a resolução me dizia que, na verdade, ser artista ainda era estar feliz com o poder olhar o quadro molhado, recém lambrecado de tinta, ou o desenho no papel de caderno, e dizer para si e para os outros: ainda bem que eu sou artista. afinal de contas, no fim do dia, os não artistas voltam pra casa, para as suas poltronas e para as suas novelas, e para os noticiários ou cursos on-lines, e tudo o que sabem fazer, ou nem sabem, é pensar que amanhã precisam estar descansados para o trabalho. e, no caso do artista, mesmo que ninguém goste do desenho (também servem músicas, bordados, escritos e afins), mesmo que ninguém mais saiba que aquilo é arte , mesmo que a obra não seja muito boa, mesmo que não se ganhe dinheiro ou reconhecimento e as dívidas se amontoem no topo da geladeira, ao invés de voltar pra casa para simplesmente repor as forças necessárias a um trabalho alienado, o artista vai desenhar , cantar, tocar, bordar ou escrever qualquer coisa que talvez não seja linda, mas que é sua. e isto tudo é só para, depois de fazer, olhar com satisfação para a coisa e dizer : ainda bem que eu sou artista. e sendo assim, da condição de o condenado da história, o artista passa a dono de sua mais-valia ; e ao invés de mero sujeito de uma auto-valoração ridícula, o artista é livre.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
V Quase Concreto
Aos Desejos
Só por hoje cansei de amores em cartas
Queria era afundar as mãos no alcance dos teus lábios.
Porque, se acreditar é fundamentalmente um ato...
Deus do céu, quanto pecado!
IV Quase Concreto
Crescer
É aprender a gostar.
Gostar de comer jiló e cebola,
gostar de falar complicado,
gostar de ficar parado,
etc.
Já reparou como velho gosta de tudo?
Velho gosta de conversar fiado
Velho gosta de jogar baralho,
Velho gosta de receber visita,
etc.
É que crescer é se acostumar com a vida,
e velho já está acostumado.
Gostar de comer jiló e cebola,
gostar de falar complicado,
gostar de ficar parado,
etc.
Já reparou como velho gosta de tudo?
Velho gosta de conversar fiado
Velho gosta de jogar baralho,
Velho gosta de receber visita,
etc.
É que crescer é se acostumar com a vida,
e velho já está acostumado.
III Quase Concreto
Clusters
Odeio ter essa memória de elefante
Seria bem mais elegante ter uma alta e esguia.
Uma memória de girafa eu queria.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
A HONRA AMARRADA
ele, o caralho
é um canalha
que teu roto agasalho
atrapalha
ele, o caralho, sem dó,
como um cão na cachorra,
cheio de porra ,
dá um nó !
tua honra amarrada
âncora de preconceitos...
... vai ao fundo
do oceano dos leitos
e agora todo mundo
chupa os teus peitos
é um canalha
que teu roto agasalho
atrapalha
ele, o caralho, sem dó,
como um cão na cachorra,
cheio de porra ,
dá um nó !
tua honra amarrada
âncora de preconceitos...
... vai ao fundo
do oceano dos leitos
e agora todo mundo
chupa os teus peitos
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Dois poemas do meu amigo Carvalho
Carvalho, ou Roberto De Carvalho, também publicou poemas no Literatuara Alternativa. Alguns poemas muito interessantes e extremamente singulares. O poema Rio Revisitado, da postagem anterior é de sua autoria. Ao Carvalho devo um comentário dos poemas que estou postando no Blog. Em breve esse comentário estará pronto. Trata-se, de dois textos, escritos sobre o mesmo tema/pessoa, em epócas diferentes, que se diferenciam enquanto desdobramento do estilo de escrever do Carvalho, (...), há uma conquista poética de um texto em relação ao outro, mas isso não é tudo, os dois poemas são textos de escrita forte, que não agradam a ouvidos que gostam somente do doce da poesia, dos seus temas menos secretos e pervertidos, que não fazem dela esse olhar "pesquisa" do que há de mais problemático e interessante na vida. Caio que era dado a "beber conhaque no gargalo", gosto muito dessa imagem, rs. Leiam os dois poemas e será possivel perceber o que estou dizendo.
Caio
Cruas ruas
Andam
Teu andar
De pedra
São amplos teus espaços
E tão amplos são
Que esbarram cada um
Dos dois lados da vida
E tu és cru
Tu és cruel
E doce é tua crueldade
Ainda porque és Caio Nunes Louback
Carvalho
01/06/2010
Caio
Sorvia a vida
Como bêbado de rua
Dado a beber conhaque no gargalo.
Fantasiava, mentia,
Como não havendo na verdade valor algum
Nem na realidade algum sentido.
Se jogava nos braços das mulheres,
De todas as mulheres que lhe sorrissem
Ou se jogassem em seus braços.
Queriam todas vê-lo, pela manhã,
Acordar, se levantar da cama,
Depois de noite farta de cerveja e sexo.
Sorvia a noite
Como se as algazarras de dia
Tivessem outra linguagem;
Depois de ter passado o sol
E o céu escurecido;
Falada numa língua que ele só entendia.
Só vivia uma vez
De cada vez.
Vestia uma roupa a cada dia,
E saía para viver uma única vida.
Como um louco qualquer...
Destes que sabem nada mais haver além.
Carvalho
27/10/06
domingo, 19 de dezembro de 2010
Rio revisitado
Arranjo os rebotalhos,
Remendo o passado.
Respiro teu perfume
Pérfido, sagaz, pervertido, prostituído, malandro e amargo.
Cuspo no prato que comi.
Cuspo pra cima também:
O escarro volta e lambe a minha cara.
Me lembro do Giovane,
Sozinho no Amarelinho...
Por ele eu tomo,
Pra ele eu bebo
Vários chopps no Amarelinho...
Bebo, como os amendoins
E vomito no mundo.
Ah, se estivesse por perto agora
Alguém que eu gostasse!
Bastante dinheiro, quem sabe?
Construiria uma noite gostosa.
Depravada?
Não, infinita...
Como a dos pivetes que rondam os monumentos!
Da praça,
Da noite,
Do Rio...
Por Carvalho
domingo, 21 de novembro de 2010
O homem do mar
É com grande pesar que recebo a notícia de que o amigo e escritor Moacir C. Lopes faleceu hoje, pela manhã, no Rio de Janeiro. Há quase dez anos eu o via pela primeira vez, numa palestra sobre seu romance A ostra e o vento, ocorrida num Encontro de Escritores em Viçosa-MG. Depois disso mandei-lhe e-mails, pesquisei a sua obra, e teve início uma grande amizade. Tive a oportunidade de estar com ele outras vezes em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Soube de seu falecimento pelo amigo Manoel Carlos. Moacir Lopes parte deixando uma obra ímpar e saudades sem fim.
Certa vez escrevi um poema, "O homem do mar", que dediquei ao amigo Moacir C. Lopes:
O homem do mar
A Moacir C. Lopes
O mundo sopra
o vento, que adentra
feito corrente de ar
a sua morada.
O sopro
uivado na bananeira
atravessa a janela
percorre corredores.
O vento circunda
adentra o peito do homem
do mar. Labirinto
e sonho de voar.
O suspiro do homem
vira vento no mundo.
As folhas se contorcem
bananeira a uivar.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Metástase
Amigos,
Também estou com o livro do Ptolomeu Carus em mãos. Tive a sorte de o livro ficar pronto justamente na época em que me encontrava em Caratinga. Depois disso já andei por São Paulo, onde andei divulgando a obra do amigo Cássio.
Como os links no rapidshare expiram se ninguém baixar os arquivos no prazo de 2 meses (e os jornais do Literatura Alternativa expiraram nesse meio tempo já duas vezes), estou novamente atualizando os links. Vale lembrar que estão disponíveis aqui no blog e no pré-site www.literaturaalternativa.hd1.com.br
Os links são:
1ª parte:
http://rapidshare.com/files/425678720/literatura-alternativa01de03.zip
http://rapidshare.com/files/425678720/literatura-alternativa01de03.zip
2ª parte:
http://rapidshare.com/files/425689659/literatura-alternativa02de03.zip
3ª parte:
http://rapidshare.com/files/425696370/literatura-alternativa03de03.rar
A publicação de Metástase me deixa muito feliz. Quero abraçar o camarada Cássio Brancaleone pela publicação e dizer que comemoro com ele (e com todos) o comparecimento da obra. Meus parabéns também ao companheiro Abiatar pelo prefácio de fôlego e de tom acadêmico. O livro Metástase está na praça e me faz sentir que a literatura continua a nos unir.
Abraços,
Marcos Teixeira
www.marcosteixeira.hd1.com.br
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Lançamento em Caratinga-MG - 08/10/2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Infância
O poema "Infância" foi publicado na página 07 do número 07 (nova série) da revista Jararaca Alegre, que é editada pelo amigo Camilo e distribuída em Minas Gerais. A revista foi lançada no Festival Cultural de Caratinga em julho de 2010. Quem tiver interesse em conhecer a JA, visite o blog do Camilo: http://jararacalegre.blogspot.com/
Marcos Teixeira
A infância não está no calendário
não está no álbum, no porta-retratos
a infância se descoloriu de todo
transfigurada, esmaeceu inteira
ficou reclusa embaixo do chapéu
alimentando o sonho e a saudade.
A infância também ficou segredada
no interior de Minas, num lugar
entre montanhas, à beira do rio.
Uma parte ficou em Caratinga
outra em Lavras, correndo pelas ruas,
descobrindo um amor numa janela.
Mas então a infância está no mapa?
Mas o que fazer se o mapa só leva
ao peito do homem de barba e chapéu?
O homem apoia a cabeça entre as mãos
a infância também lhe escorre por dentro.
O poema "Infância" foi publicado na página 07 do número 07 (nova série) da revista Jararaca Alegre, que é editada pelo amigo Camilo e distribuída em Minas Gerais. A revista foi lançada no Festival Cultural de Caratinga em julho de 2010. Quem tiver interesse em conhecer a JA, visite o blog do Camilo: http://jararacalegre.blogspot.com/
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